Dez artistasde Porto Alegre foram convidados a intervir
em dez estrelas
(expostas durante 7 breves dias),
distribuídas pelo Bairro Moinhos de Vento, para a Semana ARP da Comunicação 2009. (http://www.arpnet.com.br/)
São eles:
Ana Malcon,
André Venzon,
Cusco Rebel,
Débora Soster,
Frantz,
Leandro Selister,
Tridente,
True,
Zip,
e... os Cow Bees, como coletivo artístico.

A imagem escolhida pelos Cow Bees para habitar uma estrela em ponto tão movimentado da cidade, bem na frente do Moinhos Shopping, foi esta poesia visual, desta que escreve, intitulada "arte é tudo", mas que também pode ser lida "tudo é arte", num devir sem fim.
Das 10h às 19h deste domingo (08/11) estivemos envolvidos
nesta ação onde, dentre outras coisas, eu pintava e o Beto tocava violão.
Houve até palhinha da nossa canção Lar Doce Lar...
E apresentação única do repertório erudito do Beto, para deleite de quem passava...
Em pouco tempo havia público à nossa volta e lá estávamos fazendo o que mais gostamos: difundir a arte.
Ao cair da tarde, a rua acolheu nossa estrela, cravejada de vacabelhas e poesia...
Cláu Paranhos
Pra ver outras estrelas:
http://www.dezpropaganda.com.br/blog/?p=2014
clique nas fotos para ampliar (fotos Leandro Selister, Clau Paranhos e Beto Chedid)


Visitem a estrela dos Cow Bees!
Em frente ao Moinhos Shpping, somente essa semana!

Nossos agradecimentos ao artista André Venzon, pelo convite, e a todo o pessoal do evento, tão queridos e dedicados conosco.
Gratos!

A estrela do querido Leandro Selister... Com poema de Clarice Lispector. Na foto, da esq. para dir.: Beto, Cristiano, Leandro Selister, Cláu e André Venzon.
"A arte é tudo porque só ela tem a duração - e tudo o resto é nada! As sociedades, os impérios são varridos da terra, com os seus costumes, as suas glórias, as suas riquezas: e se não passam da memória fugitiva dos homens, se ainda para eles se voltam piedosamente as curiosidades, é porque deles ficou algum vestígio de Arte, a coluna tombada dum palácio, ou quatro versos num pergaminho. As Religiões só sobrevivem pela arte, só ela torna os deuses verdadeiramente imortais - dando-lhes forma. A divindade só fica absolutamente divina - quando um cinzel de génio a fixa em mármore; inspira então o grande culto intelectual, que é o único desinteressado e o único consciente; já nada tem a sofrer do livre exame: entra na serena região dos Incontestáveis e só então deixa de ter ateus. O mais austero católico é ainda pagão, como se era em Cítera, diante da Vénus de Milo. E a Nossa Senhora do Céu só tem adorações unânimes e louvores sem contestação, quando é o pincel de Murillo que a ergue sobre o Orbe, loura e toucada de estrelas.A arte é tudo - tudo o resto é nada. Só um livro é capaz de fazer a eternidade de um povo. Leónidas ou Péricles não bastariam para que a velha Grécia ainda vivesse, nova e radiosa, nos nossos espíritos: foi-lhe preciso ter Aristófanes e Ésquilo. Tudo é efémero e oco nas sociedades - sobretudo o que nelas mais nos deslumbra. Podes-me tu dizer quem foram no tempo de Shakespeare os grandes banqueiros e as formosas mulheres? Onde estão os sacos de ouro deles, e o rolar do seu luxo? Onde estão os claros olhos delas? Onde estão as rosas de Iorque que floriam então? Mas Shakespeare está realmente tão vivo como quando, no estreito tablado do Globe, ele dependurava a lanterna que devia ser a lua, triste e amorosamente invocada, alumiando o Jardim dos Capuletos. Está vivo duma vida melhor, porque o seu Espírito fulge com um sereno e contínuo esplendor, sem que o perturbem mais as humilhantes misérias da carne!"
Eça de Queirós, in ' Notas Contemporâneas'


























































































































